Confira se é verdade o que Sartori e Tarso disseram no debate

Os candidatos ao governo do Estado se enfrentaram no último debate antes das eleições na noite desta quinta-feira. Ao longo do programa, Zero Hora conferiu as declarações feitas por José Ivo Sartori (PMDB) e por Tarso Genro (PT). A reportagem integra a série É Isso Mesmo?, lançada por ZH em 1º de setembro com a intenção de confrontar frases dos concorrentes ao Palácio Piratini com dados oficiais.

Cautela marca o último debate entre Sartori e Tarso
Da fronteira à pizza: os bastidores do último debate da eleição para o governo do RS

JOSÉ IVO SARTORI

"O Tarso prometeu que ia renegociar com o Lula a dívida (pública) do Estado. Foi ministro em várias pastas, foi multiministro, e não fez isso."



A renegociação da dívida foi uma das principais promessas de Tarso Genro na campanha para governador em 2002, mas o candidato do PT perdeu a eleição para Germano Rigotto (PMDB). No mesmo ano, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva informou que não renegociaria dívidas dos Estados, pelo menos, no primeiro ano da nova gestão. Nos anos seguintes, em que Tarso foi ministro de Lula, a situação da dívida gaúcha permaneceu sem solução — embora se possa argumentar que o papel do atual governador seria mais político do que administrativo, uma vez que atuou como ministro da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça. Como governador, Tarso encaminhou um acordo que deve ser votado em novembro no Senado.

"O senhor (referindo-se a Tarso) prometeu quatro hospitais regionais"

Durante a campanha para o Piratini, em 2010, Tarso Genro lançou um documento chamado Carta aos Gaúchos e Gaúchas, em que detalhou as propostas para seu futuro governo. No capítulo chamado Compromissos com o Desenvolvimento Social e Políticas Públicas, o texto garante a criação de "quatro novos hospitais regionais, em parceria com o governo federal, aproveitando as estruturas já existentes nas regiões que ainda não contam com serviços de saúde de média e alta complexidade com especialidades, como traumatologia e cirurgias em geral. Através de um programa de ação solidária, qualificar o atendimento dos hospitais do Interior".

"Seu governo (de Tarso) aumentou a dívida em R$ 12 bilhões."


Segundo o Relatório Anual da Dívida Pública Estadual 2013, em valores nominais, a dívida gaúcha em dezembro de 2010 (antes de Tarso Genro assumir o governo gaúcho) era de R$ 40,6 bilhões. Em dezembro do ano passado, dado mais recente consolidado no estudo, esse valor havia passado para R$ 50,4 bilhões — um acréscimo de R$ 9,8 bilhões e próximo do citado pelo candidato. Porém, o mesmo levantamento indica que, quando se corrigem essas cifras pelo IGP-DI com data-base em dezembro de 2013 a fim de eliminar o efeito da inflação, a diferença fica em R$ 1,8 bilhão.

"Eu criei a Secretaria da Segurança Pública e Proteção Social em Caxias, que diminuiu muito a criminalidade"

A Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social (SSPPS) de Caxias do Sul foi legalmente criada em dezembro de 2005, durante a gestão de José Ivo Sartori, mas não reduziu os homicídios dolosos - principal indicador utilizado internacionalmente para mensurar o nível de violência. O número de roubo de veículos, outro indicador importante de criminalidade, também apresentou tendência de crescimento após a criação da pasta.

Em 2005, conforme os registros oficiais da Secretaria da Segurança Pública do Estado, Caxias registrou 74 homicídios dolosos e 510 roubos de veículos. No ano seguinte, esses indicadores subiram para 89 homicídios e 643 roubos. Confira abaixo os dados até 2012, último ano do segundo mandato de Sartori na cidade:

2005 - 74 homicídios e 510 roubos de veículo
2006 - 89 homicídios e 643 roubos de veículo
2007 - 84 homicídios e 508 roubos de veículo
2008 - 75 homicídios e 463 roubos de veículo
2009 - 87 homicídios e 460 roubos de veículo
2010 - 96 homicídios e 531 roubos de veículo
2011 - 101 homicídios e 662 roubos de veículo
2012 - 105 homicídios e 630 roubos de veículo

TARSO GENRO

"Só aqui no Estado do Rio Grande do Sul, pelo Programa Mais Médicos (...), vieram mais de mil médicos, são atendidos 78% dos municípios, alcançando 3,5 milhões de pessoas."


Quando o programa Mais Médicos completou um ano, em julho de 2014, 1.081 profissionais atendiam em postos de saúde do Estado. Naquele mês, 369 municípios gaúchos eram atendidos pela iniciativa — o que representa 74% das cidades, percentual próximo ao referido pelo governador.

"Estamos resolvendo uma chaga histórica, que é a desativação do Presídio Central. Depois de 40 anos, estamos acabando com aquela escola de criminalidade."


O governo deu início ao processo de transferência de presos do Presídio Central para cadeias da Região Metropolitana em julho deste ano. Inicialmente, foram 500 realocados, e 363 detentos começaram a ser levados para outras unidades em 29 de setembro. Em 14 de outubro, o governo do Estado iniciou a demolição do primeiro dos seis prédios do Central: o pavilhão C. A estimativa é que, com a abertura de cadeias até o final deste ano, as vagas geradas serão suficientes para reduzir a população do Central para 500 apenados — atualmente, tem 3,7 mil detentos.

"O senhor (Sartori) diz que vai modificar o projeto que abate R$ 15 bilhões da dívida, retardando a votação."


De fato, se aprovado o projeto com promessa de votação para novembro, será alterado o índice de correção e de redução de juro, sendo possível abater R$ 15 bilhões do passivo (que atualmente é de R$ 45 bilhões), permitindo a captação de novos empréstimos. Porém, o governador não contextualiza que a redução só será atingida se aprovada e apenas em 2028.

"Usamos os depósitos judiciais para aplicar os 12% na saúde"

 

Em 2013, o Rio Grande do Sul desembolsou, de fato, 12,3% do orçamento à saúde — pela Constituição, os Estados são obrigados a destinar 12% à saúde. Porém, a conta gaúcha incluía os gastos com o Ipe Saúde, e existe um debate sobre a validade da incorporação das despesas no montante, já que não corresponderiam aos "gastos com saúde de acesso universal" previstos na legislação. Assim mesmo, as contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Critérios de classificação

É verdade: a informação está correta e corresponde aos dados e estatísticas oficiais
Não é bem assim: parte da sentença está correta, mas há imprecisão no que está sendo dito
Não procede: o concorrente está equivocado no que diz